Franciele

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Nós, Alcemar Marchesam e Maria Elaine Bertoldo Marchesam, pais da Francieli, quando jovens morávamos na mesma localidade no interior de Nova Palma. Passamos a infância estudando juntos, depois começou um longo namoro e a 25 de maio de 1991 nos casamos. Para evitar que uma gravidez ocorresse logo após o casamento nos valemos de métodos naturais e deu certo. Mais tarde por nossa vontade aconteceu a gravidez.

Curtimos muito esse período, nós e nossos familiares. Era a primeira neta da parte materna. O nascimento era aguardado com muita expectativa e no dia 13 de fevereiro participamos da festa de casamento do meu irmão (mãe). Não me senti bem e procuramos o médico que pediu que ficássemos alerta. À noite senti dores e contrações e fomos ao médico que depois de examinar me internou. Sentia contrações, mas não havia dilatação. Foi necessária cesariana.

Ao nascer a Franci, assim que a chamamos, não chorou e depois apresentou alguns problemas, como: não conseguia sugar e nem respirar bem. O médico disse que a fisionomia da menina tinha algo diferente. Devido aos problemas ela foi encaminhada á Santa Maria para o Hospital Universitário onde ficou 9 dias na CTI como vitima de desnutrição. Todos os dias o pai ia visitá-la, eu tive hemorragia e estava muito debilitada, só pude ir uma vez. Foram feitos exames e ao completar um mês de vida tivemos a notícia de que nossa filha era portadora da Síndrome Cri du Chat. Os médicos foram objetivos e disseram que a criança não se desenvolveria.

Até os 2 anos de idade a Franci quase não se alimentava, seu peso era abaixo do normal, tinha problemas de garganta e no aparelho respiratório, todo o mês ela ficava internada.

Na família havia outras crianças da mesma idade da Franci e todos percebiam que seu desenvolvimento era menor que o de outras crianças, até então, nós pais não comentávamos sobre a sua deficiência, pois sempre se esperava um filho saudável e perfeito, nos sentimos envergonhados, pois temíamos as reações da sociedade.

A Franci sempre teve acompanhamento de fonoaudiologia, fisioterapia, depois hidroterapia e socialização. Mesmo alguns especialistas (no inicio) desacreditavam no desenvolvimento de nossa filha, nos desmotivando quanto a procura de ajuda.

Apesar disso nunca deixamos de procurar ajuda e nem pensamos em abandonar o tratamento de nossa filha. Aos 5 anos, com muita dificuldade por parte da escola, conseguimos matrícula na pré escola, mas alguém deveria acompanhar a Franci durante as 2 aulas por semana. Ela gosta muito de estar com as outras crianças e mesmo não falando, sabe se que ela é feliz. Ela adora os colegas e eles a convidam para brincar. Com 7 anos consegui levar a Franci para a piscina em um município vizinho, tem o acompanhamento de uma professora que a trata com muito carinho, mas exige dela principalmente quanto a postura. Ela gosta muito da piscina, quando estaciono o carro ela quer sair correndo com pressa de entrar na água e na hora de sair ela sempre quer ficar um pouco mais.

Por ser a Franci portadora desta síndrome, tenho a oportunidade de fazer hidroginastica junto com ela, me sinto muito bem e convivo com pessoas queridas que também freqüentam a piscina.

Hoje com 12 anos ela está bem fisicamente, caminha e corre. Tem uma alimentação variada, muita saúde e um corpo bonito. Não fala, mas entende, lê livrinhos observando as gravuras e se concentra nas atividades propostas pela fonoaudióloga. Nós nos relacionamos bem, ela me obedece e sabe respeitar seus limites. É bom conviver com a Franci, apesar de alguns cuidados que ela necessita. Temos mais dois filhos o Jean Carlos (9 anos) e o Vinícios (4 anos), eles amam a Franci, dividem o que ganham com ela e ajudam a observar onde ela está, enfim convivem em harmonia com ela.

 

Com muita persistência buscamos nossos direitos, quebrando barreiras continuaremos lutando para ver nossa filha feliz.

Maria Elaine e Alcemar, pais da Francieli

End.: Rincão Fréos – Nova Palma - RS

Cep: 99250-000 – Telefone:55 – 9968-0895

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