Martina

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MARTINA WOLFF

04/09/1992

Quando soube que estava grávida, tive a intuição que seria uma menina e era o que mais desejava, pois pensava que ela sempre seria minha companhia. Durante a gravidez, quando conversava com as minhas colegas, dizia para elas que se desse algo errado, que acontecesse comigo, e não com o bebê, já tinha a intuição que algo aconteceria. Aos oito meses de gravidez fui fazer mais uma écografia e o rapaz ao medir a cabeça do nenê, observou que estava muito pequena. Questionei a ginecologista na época, ela disse que seria um bebê pequeno e ficou por isso. O dia do parto foi aproximando-se , já completavam-se quarenta e uma semanas e como não havia dilatação foi necessário fazer a cesárea. A Martina nasceu numa sexta-feira, 4 de setembro de 1992 às 18 horas no Hospital de Sapiranga; pesava 2.520, media 44 centímetros e chorava muito, seu choro era fraquinho.

Era uma criança linda, rosto delicado, cabelos castanhos escuros e olhos verdes. No dia seguinte à noite, o pediatra perguntou se ela já havia mamado no peito. Como a Martina recusava-se a sugar, o médico resolveu dar-lhe mamadeira, mas a Martina não mamava. Ele concluiu que ela teria septicemia, uma doença no sangue que se não fosse tratada a criança morreria. Nesse período a Martina foi para UTI, a ginecologista sugeriu que a levássemos a Porto Alegre, no Hospital Mãe de Deus, onde havia uma equipe muito boa de recém-nascidos.

Quando a ambulância chegou para buscá-la, a enfermeira suspeitou pelo seu choro que teria síndrome do "miado do gato". Martina ficou uns três dias em observação para aprender a sugar. O chefe da pediatria comunicou ao meu marido que todas as evidências estavam indicando que teria síndrome do "Cri du Chat" e solicitou que fizéssemos o cariótipo. Em um mês veio o resultado, confirmando a suspeita, os médicos diziam que a Martina seria uma criança vegetativa e não viveria muito.

Foi muito difícil na época porque éramos recém-casados e ela era nossa primeira filha, mas nunca perdemos as esperança. Agradeço em especial à Vó Vera que sempre esteve a nosso lado, dando apoio, amor dedicação e tendo muita paciência para com Martina.

No início Martina mamava, mas o leite voltava pois tinha refluxo, o médico indicou o uso de um travesseiro mais alto. Aos dois meses, ela sorriu pela primeira vez, ganhou uma hérnia, chorava o dia inteiro, mas durante a noite dormia. Os médicos até hoje não sabem dizer o por quê de tanto choro. Ela ficou internada na PUC em Porto Alegre, mais ou menos dezessete dias para operar a hérnia e para ver o por quê do choro intenso, nessa época, começou a tomar Valium, tomou o medicamento durante três meses, pois ficava mais tranqüila. * Aos três meses, começou a freqüentar a estimulação precoce (fisioterapia). * Aos quatros meses, levava tudo a boca, começou a comer papinha. * Aos seis meses, rolava-se ao chão. * Aos sete meses, parava em pé e adorava o balanço.

Aos nove meses ganhou o primeiro dente. *Aos dez meses aprendeu a sentar sozinha, com um ano adorava tirar os tênis dos pés e colocar os dedos na boca. * Com um ano e quatro meses, começou a engatinhar e a falar a palavra "tata", adorava prendedor de roupa, caixinha de música e saco plástico. *Com dois anos e um mês falava a palavra "vó", adorava tomar banho, apegava-se a objetos, batia palmas, subia e descia do seu berço. * Aos dois anos e meio, começou a freqüentar a creche, entendia tudo o que se falava com ela, não apresentou dificuldades de adaptação, brincando com materiais e brinquedos à sua disposição. Gostava de estar no meio das demais crianças, mostrando sinais de insatisfação quando a movimentação diminuía, gostava de escutar e acompanhar com palmas músicas tocadas ou cantadas. *Aos dois anos e onze meses, começou a fazer seus primeiros rabiscos e rasgar papéis. *Aos três anos começou a dar os primeiros passos. * Aos três anos e meio começou a caminhar

sozinha. *Com quatro anos e dez meses começou a comer sozinha. * Com cinco anos começou a freqüentar a APAE (aulinha).

Não teve dificuldades em adaptar-se. Participava de atividades, mas não se concentrava muito. Durante as brincadeiras livres ficava algumas vezes apenas observando. Expressava seus sentimentos e desejos através de gestos e pequenos sons. Era um pouco difícil a questão dos passeios e permanência em locais com muita gente, pois ficava nervosa. *Aos seis anos, segundo o parecer da Martina na creche, ela demonstrava com mais clareza quando gostava ou não de algo (a comida, por exemplo). Era prestativa e atendia logo às solicitações, como guardar os brinquedos ou voltar sozinha de algum outro cômodo para sua salinha.

Era uma menina alegre que ria muito com seus coleguinhas, chorando raramente. Nas brincadeiras e jogos em grupo preferia ficar só, com peças de jogos. * Com sete anos falava as palavras "papa", pé", "tata", "coca", "bá" (banho) e "pá" (pão). Acordava várias vezes à noite para tomar seu leite e se balançava com a cabeça. A neurologista indicou que déssemos Neozine para que ela dormisse a noite inteira, pois não estava mais com idade para acordar à noite.

Tomou Neozine durante um ano. *Aos oito anos adorava canudinho, apelidaram-na de "rainha dos canudinhos", pois catava cada canudinho que havia na beira da praia e ia nas tendas pegar os canudinhos dos vendedores de refri, milho verde e etc... Saía atrás de todo o picolezeiro que passava na beira da praia, ela queria picolé de chocolate. * Aos nove anos adora abrir e fechar as gavetas do armário de seu quarto, colocando seus pertences. Localiza todas as partes de seu corpo, tem medo de máquina fotográfica, de jet ski, de lugares com muitas pessoas e de barulho. Gostava de livros de história, de fantoches e de brincar de esconde-esconde. * Imita o tio Tucha, índio, macaco, velho no inverno (tosse).

Pedimos para ela fazer física e ela imita. * Gosta de escutar a música "fui morar numa casinha infestada de cupim", dar cambalhota, andar de rede de balanço e de escorregador, de riscar, de olhar fitas de aniversários, de rasgar papéis, de brincar com seus potes, de empilhar almofadões do sofá fazendo de conta que são casinhas e de brincar com seu colchão fazendo casinha, adora tomar banho de chuveiro e de piscina, adora a creche e a APAE. Faz tchau quando quer ir embora de algum lugar. *Com o nascimento do irmão Lucca adotou um amigo "um boneco" que leva sempre consigo até para dormir. *Começou a gostar de ir ao banheiro fazer xixi, pois ainda usa fraldas, quando ela vai dormir temos de ligar o som com o CD da Xuxa. Ela gosta de dançar, entende tudo o que falamos com ela, é muito sentimental, chora quando chamamos a atenção dela. Pega na mão da gente para mostrar o que quer e atualmente não toma nenhum medicamento.

 

Marla e Guelson, pais da Martina

End. R. Caxias do Sul, 311 - B. Centenário - Sapiranga - RS

Cep: 93800-000 - Telefone: 51 - 599-4247

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